FMM 2026: A qualidade de sempre, com mais equilíbrio
A 26.ª edição do FMM Sines - Festival Músicas do Mundo terminou no dia 25 de julho, com um balanço claramente positivo do ponto de vista artístico e melhorias significativas na sua relação com a cidade.
Para o presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, o festival foi um sucesso, mantendo a sua identidade intacta e continuando a ser um festival "inclusivo, democrático e culturalmente relevante".
Iniciado no dia 17 de julho, em Porto Covo, o FMM Sines ofereceu 38 concertos de artistas de mais de 20 países e um programa de iniciativas paralelas especialmente direcionado para as famílias.
Mais uma vez, o festival não se resumiu ao recinto pago no Castelo, estendendo-se pelos espaços urbanos da aldeia de Porto Covo e da cidade de Sines e oferecendo riqueza e diversidade cultural a públicos com diferentes capacidades económicas.
"Mesmo quem não tem capacidade de pagar o bilhete desfruta do festival", sublinhou Álvaro Beijinha.
O diretor artístico e de produção do festival, Carlos Seixas, destacou o facto de o evento ter mantido a qualidade da programação, mesmo se com menor carga horária, e de continuar a crescer o número de jovens a participar, num momento em que o poder de compra dos espectadores é reduzido.
Na organização, uma das prioridades foi a redução do campismo selvagem, numa tentativa de equilibrar a relação entre o fluxo de público do festival e a tranquilidade e a qualidade de vida dos residentes.
O reforço da fiscalização e das ações de sensibilização, aliado à melhoria das condições da área de campismo ocasional junto ao Pavilhão Multiusos, contribuiu para uma redução significativa do fenómeno.
"Na ótica de quem vive na cidade, o campismo selvagem torna se um constrangimento para muita gente. Foi por isso que reforçámos as condições na zona de acampamento ocasional. Inclusive abrimos os balneários do Pavilhão Multiusos aos festivaleiros. Tínhamos consciência que não íamos eliminar todo o campismo selvagem, mas conseguimos conter o problema."
Uma zona de campismo ocasional mais ampla e com mais áreas com sombreamento poderá contribuir para prosseguir em 2027 a melhoria registada este ano, disse a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Sines, Ana Dias.
"O nosso festival vive da humanidade, da liberdade, da amizade, da ligação que temos com o mundo, com as diferenças. Eu acho que é tão importante, mas também é importante sabermos respeitar quem vive aqui um ano inteiro. Penso que conseguimos este equilíbrio este ano", afirmou Ana Dias.
Esta edição do festival foi preparada com o pressuposto de uma redução de custos de cerca de 350 a 400 mil euros em relação a 2025, redução justificada pelo presidente pela necessidade de responder a muitos outros problemas do concelho, em áreas como o saneamento, o abastecimento de água e o estado dos equipamentos escolares.
Mesmo nesse contexto de contenção, foi possível introduzir melhorias na experiência dos espectadores, por exemplo, ao nível na qualidade do som no Castelo.
O público total do FMM Sines em 2026 foi estimado em cerca de 70 mil espectadores, soma dos números de bilheteira no Castelo e Centro de Artes de Sines e a avaliação de público presente nos concertos sem controlo de entradas em Porto Covo, Avenida Vasco da Gama, Largo Poeta Bocage e Pátio das Artes, bem como dos participantes das iniciativas paralelas.
As datas do FMM Sines 2027 deverão ser anunciadas em setembro, quando ficarem resolvidas questões relacionadas com a eventual sobreposição entre as datas da The Tall Ships Race 2027 (29 de julho a 1 de agosto) e as datas habituais do festival (a terminar no último fim de semana de julho).
A repartição do evento pelos núcleos de Porto Covo e Sines, garantiu o presidente, será para manter.
Foto: Julian Marley (c) Vítor Seromenho