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América do Sul jovem e urbana no FMM Sines 2016

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23 Fevereiro 2016

O FMM Sines – Festival Músicas do Mundo, cuja 18.ª edição se realiza entre 22 e 30 de julho de 2016 em Porto Covo e Sines, confirma a presença no seu programa de sete espetáculos que representam os caminhos alternativos da nova música sul-americana.

Alibombo é um espetáculo de percussão e um laboratório de experimentação sonora a partir de materiais reciclados. Inicia a sua atividade em 2009, na cidade colombiana de Medellín, ainda como grupo de percussão urbana. Evolui rapidamente para uma dimensão mais experimental, pela mão do seu diretor, o baterista David Colorado, e do produtor, percussionista a baterista Lucas Jaramillo. Juntos, criam os seus próprios beats em tempo real por meio de uma loopstation, extraindo sons de objetos que se poderiam encontrar numa lixeira: um quadro de bicicleta, uma caneca de plástico, uma caixa de cartão ou um fecho éclair. São influenciados pelas músicas tradicionais do seu país, como a cumbia, o porro e o currulao, que absorvem numa abordagem contemporânea.

Bixiga 70 é uma banda brasileira que toma como modelo as grandes orquestras da música africana, como os Afrika 70 de Fela Kuti. Nascida no estúdio Traquitana, no bairro da Bixiga, um dos bairros mais multiculturais de São Paulo, reúne dez músicos onde confluem diversas cenas da cidade: pop experimental, jazz, dub, música popular brasileira. Optaram por seguir uma via afro-latina, em que o afrobeat e a música mandinga guineense se fundem com o candomblé, o samba, a cumbia. Já tocaram com estrelas do afrobeat como Seun Kuti, Tony Allen, Ebo Taylor e Antibalas. No alinhamento cruzam-se os instrumentos clássicos das orquestras africanas (guitarras, saxofones, trompete) com diversas percussões brasileiras. Venceram a categoria “Revelação” nos Prémios da Música Brasileira 2014 e são considerados umas das melhores formações instrumentais brasileiras. “III”, lançado em 2015 na editora alemã Glitterbeat Records, é o seu álbum mais recente.

BNegão é um dos nomes de vanguarda da música urbana brasileira. Nascido no Rio de Janeiro 1972, tornou-se conhecido do público – brasileiro e português – com a sua participação na banda Planet Hemp. Agora estreia-se em Sines com a formação Seletores de Frequência, composta por Pedro Selector (trompete), Fábio Kalunga (baixo), Robson Riva (bateria) e Fabio Moreno (guitarra). Produzem música interventiva, visionária e dançante, um rap futurista em que Tom Zé surge como uma das principais influências. O cruzamento entre hip hop e funk é a base do seu som, mas há encontros com outras músicas, de tradição negra, mas não só: reggae, rock psicadélico, surf rock, jazz, samba, ethio-jazz. TransmutAção, o seu disco de 2015, foi eleito um dos melhores do ano pelos críticos de publicações como o Estado de S. Paulo, a Folha de São Paulo e a Rolling Stone Brasil.

Graveola é uma das bandas brasileiras mais abertas e viajadas. Depois de um concerto memorável em Sines, em 2010, regressa ao FMM amadurecida e com uma sonoridade mais elétrica e psicadélica. Formada em 2004, em Minas Gerais, constrói a sua proposta lírica e musical a partir de uma mistura entre vários níveis de linguagem e de discurso: o sofisticado e popular, o lixo cultural, a pseudo-erudição e a experimentação. A par da música, envolve-se diretamente em ações populares, principalmente as ligadas ao acesso aos bens culturais da cidade de Belo Horizonte e democratização do uso do espaço público. É uma das novas bandas brasileiras que, de forma mais consistente, têm mostrado o seu trabalho ao público internacional. Em 2016, Graveola encerra com um concerto no FMM Sines a sua digressão europeia de lançamento do quinto álbum, “Camaleão Borboleta”.

Juana Molina é uma das maiores estrelas da música alternativa da América Latina. Cantora e compositora, a sua música é sempre uma exploração sonora. Embora já tenha tocado com formações de rock mais clássicas, utiliza habitualmente um conjunto mínimo de elementos: guitarra, voz, sintetizador e alguma percussão. Os loops de sons acústicos e eletrónicos e as letras surrealistas são marcas das suas criações, situadas entre a pop, a folk, a eletrónica e a música experimental. Esta será a sua segunda vez em Sines, depois de ter integrado o supergrupo Congotronics vs Rockers, que subiu ao palco do FMM em 2011. Filha de um cantor de tango e de uma atriz, começou a carreira artística, nos anos 90, como comediante. Atualmente, vive e trabalha entre os EUA e a sua Argentina natal. O seu disco mais recente é Wed 21, de 2013, mas está a preparar o lançamento de mais um álbum ainda em 2016.

Los Pirañas é uma banda alternativa de Bogotá que expande a música popular sul-americana para territórios psicadélicos onde a distorção é rainha. O grupo é composto por três músicos, dois deles já conhecidos do público do FMM: Eblis Alvarez, que nos visitou com Meridian Brothers em 2014, e Mario Galeano, líder dos Ondatropica, presente no festival em 2013. Da guitarra de Alvarez, ligada a um laptop, saem os sons mais futuristas do trio. Galeano, no baixo, e Pedro Ojeda, na bateria, garantem com distinção a secção rítmica. Los Pirañas é música alucinogénica: vallenatos, chichas peruanas, raspas colombianas e os vários subgéneros da cumbia encontram-se com rock e dissonâncias africanas. “Noise tropical” é como classificam o que fazem. Trazem a Sines o álbum La diversión que hacía falta em mi país, lançado em 2015.

Systema Solar é um coletivo músico-visual da Região Caribe da Colômbia especializado nas vibrações afrocaribenhas. Os seus espetáculos, num estilo próprio a que chamam Berbenautika, são inspirados nos sistemas de som pikós e nas festas populares verbenas. Improviso, dança e alegria são os ingredientes dos seus concertos, que trazem para o palco o ambiente das festas de aldeia (ou de bairro) numa reinterpretação contemporânea. Recriam a cumbia, o fandango, a champeta, o bullerengue, entre outros estilos, misturando-os através de ferramentas eletrónicas com ritmos e estilos como o hip hop, house, techno, break beats e scratching. Systema Solar foi criado em finais de 2006 para a bienal de arte de Medellín. Já tocou em festivais como South By South West SXSW, Glastonbury e Roskilde.